Valentin Stip, Overview

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Vamos lá, é preciso de um pouco de paciência aqui.

O prodígio Valentin Stip é um dos artistas mais complexos que encontrei nos últimos tempos. Nascido e criado em Paris, hoje reside em Montreal. Lançou seu primeiro EP, o Anytime Will Do em 2011, aos 19 anos. Veio ainda meio tímido, meio sem jeito, mas de certa forma deu o seu recado. Suas singelas quatro faixas constroem uma narrativa totalmente abstrata, mas já escancaram algumas referências que vão acompanhar seu trabalho até os dias de hoje: música clássica, triphop, nonsense e bom gosto.

Em 2013 chegou o Angst. Agora sim temos um ambient maduro, com um mínimo sentido. A evolução musical é mais que nítida, e sem dúvida foi aqui que a identidade do Valetin transpareceu. É muito diferente do trabalho anterior, mas é mais distinto ainda do próximo álbum, sua obra prima Sigh, de 2014.

Depois do Psychic [o primeiro álbum do Darkside (Nicolas Jaar + Dave Harrington)], o Sigh foi o primeiro álbum completo lançado pela Other People, a label do Nicolas Jaar, o qual inclusive aprendeu o piano clássico com o próprio Stip. Sua “formação” erudita transborda ao longo do álbum que, como bem descrito por Aedyn Roze no review da Quip Mag,

is a mind-transforming experience in its ambient-electronic genre.

O surreal é que seu som não é surpreendente nem extremamente inovador, mas de alguma forma o conjunto de sua obra é chocante. Costumo escrever todos os posts escutando o som ao qual me refiro, mas neste caso a tarefa foi impossível: não há como focar em outra ação que não seja a de simplesmente ouvir. É louvável quando o ambient transcende o status de “trilha sonora” (que infelizmente é a condição da maioria dos sons que representam tal gênero). O que permite essa transição eu já não sei, e não há palavras que descrevam a faixa Regards Sur I’Enfance (I et II).

Tamanha sinestesia continua no lado mais eletrônico de Valentin. Algumas de suas últimas faixas ganharam versões mixadas apaixonantes para os ouvidos fãs de minimal tech, como essa abaixo.

E não, não acabou. Ainda temos a versão live desse ser humano, que é o avesso de tudo que você acabou de ver. Nada me preparou para esse Boiler Room, e espero que vocês sofram bastante com ele também. Tenham paciência, mais uma vez, e boa digestão:

Montreal. Valentin Stip’s Soundcloud, Spotify.

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